
Nosso primeiro suposto cliente surgiu antes mesmo da gente constituir empresa. Foi um cliente, digamos, “de casa”. Era o marido de uma amiga do curso de jornalismo e conceituado empresário do ramo de autopeças em Recife. O empresário estava abrindo uma loja para vender tratores, caminhões, ônibus e motores agrícolas. Por telefone, o empresário queria que a gente elaborasse folder ou um panfleto para seus vendedores mostrarem os produtos para os clientes. Panfleto para vender produto? È por isso que existem profissionais, ou no nosso caso, aspirantes a profissionais de publicidade. Marcamos uma reunião e fomos os três com uma vontade danada de pegar a nossa primeira grande conta. Nem pequena tínhamos. Colocamos roupas elegantes para oferecer um toque executivo ao momento e seguimos para a empresa que poderia ser a largada para o sucesso publicitário. Eita que clichê. Estacionamos na empresa, rezamos e o primeiro passo de Daniel foi literalmente na bosta. De vaca. Bom sinal, já que a tradição afirma que os excrementos verdinhos deste animal chamam dinheiro. Pela cor deve ser dólar ou um real. Mas tem um porém, a bosta fede que é uma beleza. Foi um desespero, tentamos esfregar o sapato do rapaz na grama, procuramos água, no fim das contas torcemos para a coisa não feder.
Batemos à porta do nosso cliente em potencial. Na sala estava o empresário e seu filho, braço direito no negócio da família. Após diálogos inúteis iniciais, começamos a mostrar o job que produzimos depois de conversas que tivemos por telefone com o empresário. Procedimento errado. Mas a inexperiência e vontade de mostrar serviço foram determinantes para cometermos este erro de atendimento. Contudo, os empresários ficaram satisfeitos com a pirotecnia do material. Modéstia à parte, foi um trabalho massa, visse? Era um catálogo com um bolso que mostrava carros antigos na capa e quando a gente puxava a lâmina de dentro do bolso vinham os principais itens oferecidos pela empresa. Eles deram um sorriso de aprovação, demonstraram interesse pela “obra” e pediram um tempo para entrar em contato. Com o bom resultado da reunião fomos logo comemorar no shopping comendo MC Donald. Durante a comemoração dissemos que não daria uma semana para o empresário ligar. Passou a primeira semana e nada, segunda e nada, um mês e nada. Ligamos e ele disse que estava em conversa para autorizar. Dois meses e nada, três... E o negócio ficou na comemoração. Meses depois soubemos que ele fechou a loja e voltou a investir apenas em serviços e vendas de autopeças. Tá vendo, se tivesse investido em publicidade talvez não tivesse que fechar o estabelecimento. Aprendemos três coisas: Nunca fazer briefing por telefone, nunca comemorar depois de reuniões e nunca acreditar em bosta de vaca.
2 comentários:
kkkkkkkkkkk
Quantas lições com uma única história, né?
hahahahaha
Nesses casos eu me lembro sempre de uma frase que ouvi na adolescência:
"Nunca crie expectativas, ansiedade. Pois quando as coisas não acontecem, a expectativa se transforma em decepção".
Isso às vezes funciona.
P.S- A pergunta que não quer calar: Já conseguiram outros clientes, né?
Oi Jaciana, obrigado por visitar Os Criativos. Respondendo a sua pergunta: CONSEGUIMOS!!! vamos postar
como... conseguimos. Agora o sapato tive que jogar fora, não deu pra limpar. abraços!
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